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Grande Ferramenta para Engenheiros

Publicado na revista Contrução/RN Nov/Dez/2007
UMA GRANDE FERRAMENTA PARA PLANEJAR CONSTRUÇÕES
Manoel de Negreiros*O termo foi batizado por nossa conhecida Autodesk para descrever um CAD em três dimensões. Foi popularizado por Jerry Laiserin e veio para promover a interoperacionalização da informação entre projetos.
Será o novo amigo dos construtores e todo o staff de projetistas. É a Modelagem de Informação para a Construção. Está sendo conhecida mundialmente como BIM Building Information Modeling. Por definição é um software mais evoluído do que o CAD, o qual se comporta como um arquivo/banco de dados eletrônico de toda uma obra acessível a toda a equipe de arquitetos, projetistas e construtores durante o desenvolvimento.
Com o soft BIM tudo no projeto é em três dimensões e inteligente. As informações são integradas desde o tipo de tijolo ou bloco que se usará, incluindo suas dimensões, como o tipo e modelo de tubo e onde ele passará respeitando-se todas as estruturas e instalações necessárias à construção.
Isso resolve um grande problema hoje que é a compatibilidade de projetos. Com o BIM, graças a Deus, extingue-se a era dos projetos de arquitetura prontos. Agora o arquiteto só vai dormir em paz depois de terminado o projeto de estrutura, da elétrica, da telefonia, da hidráulica, da sanitária e outros complementares. O BIM veio para realmente fazer valer a “engenharia simultânea”. Um problema grave de estrutura poderá ser preponderante diante da arquitetura e realmente mudá-la.
Você poderá dizer que isso não é novidade. Alguns projetistas já vêm trabalhando com vários “layers” numa prancha de projeto elétrico junto com o hidro-sanitário. Digo que sim, mas com o soft BIM todo o trabalho já é em três dimensões. Observe comigo que para o “coordenador de projetos” trabalhar com uma equipe usando um soft BIM muitos problemas já começam metade resolvidos. Os terrores das interferências na fase de execução podem ser previstos na fase de projeto. Não será o céu, mas será um pequeno paraíso para os amantes de planejamento de obras.
Para o professor da USP Eduardo Toledo essa nova forma de se trabalhar os projetos em três dimensões exigirá muito mais abstração dos projetistas. Da parte dos construtores isso será uma realidade virtual que virá para ficar, ou seja, não teremos de ser mágicos ou usar os terríveis jeitinhos para acomodar distorções oriundas de projetos.
A nova biblioteca da PUC do Rio de Janeiro foi projetada com a tecnologia BIM pelo escritório do arquiteto Ângelo Bucci da SPBR de São Paulo. A SPBR venceu o concurso e como tinha tempo resolveu usar a o BIM. Aqui devemos analisar e perceber que o tempo de construção será bastante reduzido, mas o tempo de projeto aumentará significativamente. No final a balança será bastante positiva para o empreendedor. E em busca de maiores lucros se criará uma nova cultura entre os que gostam de investir no mercado imobiliário, a de se dedicar muito mais atenção e tempo em planejamento de obras.
Com o BIM a grande sacada é a economia de tempo efetivo de obra. Agora seremos mais “europeus” e passaremos pelo menos o mesmo tempo de obra em projeto. Essa será a grande diferença daqui para frente. Conclamo o colega construtor a raciocinar que não se trata de apenas um neologismo e ninguém precisa ser um pioneiro. Essa forma de projetar virá como vieram os celulares. Quando menos se esperar, estaremos todos trabalhando com essa ferramenta. Não custará nada começarmos a estudá-la. Iremos com calma, pois no momento nem os programas nacionais estão compatibilizados. Afirmo que o salto será grande, talvez não quanto foi o da prancheta para o computador e o CAD. Mas a visualização da obra melhorará o quanto melhorou a TV preto e branco para a colorida!
*Engenheiro Civil, Pós Graduado em Gestão de Negócios e Diretor da Construtora Internorth Ltda.
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